Em maio de 1935, uma pergunta curta, quase exasperada, saltava das páginas do Jornal de Cambra diretamente para o executivo da Câmara Municipal: «A água, Sr. Presidente, quando vem a água que abasteça toda a povoação e dê valor aos mercados de Vale de Cambra?». Hoje, abrir uma torneira em casa parece-nos um gesto automático…
Entre os séculos X e XIV, a rede de poderes e alianças na Terra de Cambra materializou-se numa complexa teia de transferências patrimoniais. Para desconstruir e ilustrar esta realidade, criámos um conjunto de elementos visuais e interativos a partir dos dados da investigação de Anita Pereira Tavares (Tavares, 2013)Tavares, A. P. (2013). A Medieva Terra…
No Museu Municipal de Vale de Cambra há um pequeno conjunto de objetos de bronze com cerca de três mil anos: machados, cinzeis, punhais, fragmentos de uma pulseira. Aparecem na bibliografia arqueológica portuguesa e estrangeira com o nome de “depósito de Vila Cova de Perrinho”. O problema é que esse depósito, muito provavelmente, nunca existiu.…
Esta dissertação estuda a história medieval do concelho de Vale de Cambra entre os séculos X e XIV, fundamentando-se num corpus de 160 documentos. O trabalho divide-se na caracterização do Território, explorando a sua administração, propriedade e economia, e no…
O estudo, uma dissertação elaborada no âmbito do curso de Mestrado em Arqueologia, pretende ser uma contribuição para o estudo do Encastelamento na orla litoral a Sul do Douro, com base na análise do Cartulário Baio-Ferrado do Mosteiro de Grijó.
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Este projeto tem como propósito o resgate e a preservação da memória coletiva em torno da indústria e agropecuária do nosso concelho. A nossa prioridade é dar voz às histórias de vivência individual, relembrando o trabalho na fábrica, no campo e nas atividades em torno da pecuária.
Torne-se coautor da narrativa do futuro Museu dos Lacticínios de Portugal. Através da partilha de testemunhos orais, fotografias e espólio físico, convidamos toda a comunidade a envolver-se na salvaguarda urgente do nosso património imaterial e material.
Este registo da década de 90, que recuperamos do Arquivo RTP, abre uma janela direta para o quotidiano da emblemática fábrica Martins & Rebello. Através destas imagens, testemunhamos a azáfama e a precisão do processo de fabrico de laticínios: do ritmo contínuo das batedeiras industriais ao banho na cera vermelha, terminando no embalamento manual. É o retrato fiel de um saber-fazer e de uma linha de produção que definiu uma época na nossa herança agro-industrial.
Mais do que um registo visual, este documento assume um papel fundamental na preservação da memória coletiva. As rotinas fabris aqui documentadas não só dinamizaram a economia, como moldaram gerações e definiram a identidade da região.
“Tia” Albertina fala sobe o Outeiro dos Riscos
A “tia” Albertina era muito velha — já em 1998 a sua idade exata parecia um detalhe irrelevante —, mas todos na terra sabiam que ninguém contava a lenda do Outeiro dos Riscos como ela. Havia uma autoridade na forma como desfiava a narrativa, mas a idade já pesava no falar e na memória.
Contudo, o que contava não era por apenas ouvir dizer. Fora ela, ainda uma criança de pés descalços, quem outrora guiara “uma gente que não conhecia” serra acima, até ao lugar exato das pedras.
Essa “gente de fora” trazia consigo, muito possivelmente, Alberto Souto. Na década de trinta, este homem dedicou-se a calcorrear a área montanhosa e agreste entre os rios Douro e Vouga, procurando os desenhos milenares que os nossos antepassados gravaram nas rochas.